O Quebra-Cabeças do Buriti: Ex-deputados Não Eleitos Aguardam Espaço no Governo Celina
Por: Eugênio Piedade
A montagem da equipe de governo no Palácio do Buriti se desenha como um complexo quebra-cabeças político. Após uma campanha marcada por uma ampla coalizão que reuniu 11 partidos, a governadora Celina Leão enfrenta o desafio de acomodar forças aliadas e equacionar múltiplos interesses. No centro dessa engenharia governamental está a expectativa dos ex-deputados distritais que, embora detenham expressiva densidade eleitoral e histórico na gestão pública, não conseguiram a recondução à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
A grande dúvida nos bastidores da capital é: os ex-parlamentares serão contemplados com secretarias, administrações regionais ou cargos comissionados?
Para a governadora, a tomada de decisão exigirá sabedoria e pragmatismo. O grande divisor de águas na composição da máquina pública tende a ser o critério da eficiência: enquanto alguns nomes demonstraram entregas consistentes no comando de órgãos públicos em gestões passadas, outros viram a condução de suas pastas se transformar no principal entrave para a recondução eleitoral.
O Peso da Trajetória: Quem São os Ex-Deputados na Fila de Acomodação
Para entender a relevância e as opções do governo na ocupação de cargos estratégicos (como secretarias estaduais e administrações regionais), vale analisar a trajetória política dos principais nomes cotados nos bastidores:
1. Cláudio Abrantes (União Brasil)
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Trajetória Política: Policial civil de carreira, ator e ex-presidente da Comissão de Assuntos Fundiários (CAF) e líder de governo na CLDF. Com forte base política e eleitoral na Região Administrativa de Planaltina, acumulou mandatos consecutivos como deputado distrital.
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Passagem pelo Executivo: Assumiu o comando da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF), onde coordenou ações de fomento cultural e articulação com a classe artística local.
2. Cristiano Araújo (MDB)
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Trajetória Política: Administrador de empresas, despontou cedo na política do DF, sendo eleito deputado distrital por três mandatos consecutivos (2007 a 2019). Durante sua atuação parlamentar, presidiu importantes comissões na CLDF, como a Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF).
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Passagem pelo Executivo: Acumula experiência no primeiro escalão do GDF, tendo chefiado as secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação, Desenvolvimento Econômico e a Secretaria de Estado de Turismo (Setur-DF).
3. Rodrigo Delmasso (Republicanos)
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Trajetória Política: Gestor público e líder evangélico (pastor da Igreja Sara Nossa Terra), exerceu dois mandatos consecutivos na CLDF (2015 a 2022). Ocupou postos de comando na Casa, incluindo a Vice-Presidência da Câmara Legislativa, com forte atuação em pautas da família, da infância e da proteção aos direitos de pessoas com deficiência e autismo.
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Passagem pelo Executivo: Atuou ativamente na articulação política entre o Poder Executivo e a CLDF, articulando projetos de lei de relevante impacto orçamentário e comunitário.
4. Bispo Renato Andrade (Republicanos)
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Trajetória Política: Advogado, pastor e ex-deputado distrital. Possui longa trajetória na gestão pública distrital, com base eleitoral consolidadas em regiões como Taguatinga e Riacho Fundo.
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Passagem pelo Executivo: Comandou secretarias de relevância regional, como a Secretaria de Relações Parlamentares e a Secretaria do Trabalho, além de ter exercido o cargo de Administrador Regional de Taguatinga.
5. Doutora Jane Klebia (Republicanos)
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Trajetória Política: Delegada de Polícia Civil, professora e ex-deputada distrital. Tentou construir sua caminhada pública voltada às pautas da segurança pública, proteção às mulheres e causas sociais.
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Passagem pelo Executivo: Atuou como gestora territorial no comando das administrações regionais do Paranoá e do Itapoã, além de indicar cargos de coordenação na Secretaria da Mulher do DF. Contudo, a péssima condução de suas bases e pastas gerou controvérsias que pesaram negativamente em sua avaliação política e eleitoral, causando a sua não reeleição.
6. Jorge Vianna (Ex-PSD / Democratas)
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Trajetória Política: Profissional da saúde, ex-técnico de enfermagem do Samu e expressiva liderança sindical da área da saúde do DF. Foi eleito deputado distrital em 2018 com a defesa intransigente das pautas da enfermagem e do SUS.
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Passagem pelo Executivo: Manteve forte ascendência e governabilidade sobre a gestão da saúde pública distrital e a infraestrutura comunitária, participando da indicação e gestão de demandas de regiões como Água Quente e Samambaia.
7. Iolando (MDB)
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Trajetória Política: Militar da reserva e primeiro deputado distrital com deficiência física eleito na CLDF. Construiu sua carreira política com foco na acessibilidade, inclusão e direitos das pessoas com deficiência.
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Passagem pelo Executivo: Assumiu o comando da Secretaria da Pessoa com Deficiência do DF, pasta criada para centralizar as políticas públicas de acessibilidade e apoio social no Distrito Federal.
8. Daniel Donizette (MDB)
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Trajetória Política: Professor com forte apelo na causa da proteção e bem-estar animal, atuando como distrital com votação expressiva oriunda do Gama e de movimentos protetores.
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Passagem pelo Executivo: Esteve à frente da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Proteção Animal (Sema-DF / Secretaria do Animal) e da Administração Regional do Gama, articulando políticas públicas de castração, campanhas de vacinação e apoio aos abrigos de animais no DF.
O Desafio da Governança: Competência vs. Loteamento Político
Com uma base aliada plural e diversa, o GDF precisará equilibrar a governabilidade política com a demanda da sociedade por serviços públicos eficientes. A nomeação de ex-parlamentares para Secretarias de Estado e Administrações Regionais não é novidade na política do DF, mas a exigência por entregas concretas será a régua principal de avaliação do novo mandato.
À frente desse cenário, a governadora Celina Leão terá de demonstrar sabedoria estratégica: filtrar os nomes por capacidade técnica e entregas comprovadas, evitando refazer apostas em gestões de baixa eficiência que comprometeram o desempenho recente de setores essenciais do Distrito Federal.
Opinião de Eugenio Piedade
Em sua análise para o Portal EG NEWS, o jornalista e colunista Eugenio Piedade alerta para a atenção redobrada que a governadora Celina Leão deverá ter nessas escolhas. Para Piedade, o xadrez político não pode se sobrepor à necessidade premente de competência na ponta, especialmente nas Administrações Regionais. O colunista enfatiza o risco de ceder a pressões de deputados que, em gestões passadas, "fizeram indicações de incompetentes gestores", figuras que sequer tinham conhecimento básico sobre como administrar uma cidade e demonstravam "total incompetência profissional". Piedade sublinha que o maior dano desse modelo de apadrinhamento recai sobre a população, pois tais indicados muitas vezes não possuem "nenhum tato para lidar com a população mais carente das cidades". Relembrando o exemplo citado na matéria sobre administrações que se tornaram a derrocada de parlamentares no Paranoá e Itapoã, ele conclui com um misto de alerta e desejo de sucesso: "Boa sorte para a governadora Celina Leão".
EG NEWS