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Odontologia hospitalar especializada do Hospital da Criança de Brasília garante maior estabilidade clínica e qualidade de vida aos pacientes

Por Redação 20/03/2026 às 12h20
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Em alusão ao Dia Mundial da Saúde Bucal, comemorado nesta sexta-feira (20), o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) reforça um princípio fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS): a saúde começa pelo cuidado integral. No HCB, um hospital de alta complexidade pediátrica, a atenção à saúde bucal ultrapassa o campo preventivo e assume papel de assistência complementar essencial na segurança clínica, na qualidade de vida e na continuidade do tratamento de crianças e adolescentes atendidos.

Desde sua implantação, em 2011, o serviço de odontologia do HCB foi estruturado para responder a uma demanda crescente e altamente especializada. Crianças em tratamento oncológico, pacientes imunossuprimidos, com doenças crônicas e raras necessitam de uma abordagem odontológica diferenciada, integrada e resolutiva, característica central da Atenção Terciária à Saúde.

Enquanto uma unidade da rede da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), o HCB iniciou a implementação do atendimento odontológico a partir da parceria com o Hospital de Apoio de Brasília (HAB), refletindo a evolução de uma assistência que transcende o consultório convencional para se tornar um pilar essencial no tratamento de pacientes crônicos. "Havia uma demanda crescente de crianças acometidas por neoplasias malignas que precisavam ser recebidas em um ambiente acolhedor, exclusivamente dedicado a elas e com tratamento odontológico especializado e humanizado", relembra a primeira odontopediatra da instituição e atual supervisora da Odontologia Hospitalar do HCB, Flávia de Passos.

O atendimento à saúde bucal das crianças, que começou com a operação compartilhada com o HAB, se consolidou em uma estrutura robusta. Com a inauguração dos consultórios próprios em 2012 e a posterior ampliação com o Bloco 2 do Hospital da Criança (internação), a equipe acompanhou o crescimento da complexidade dos atendimentos prestados à população pediátrica.

Odontóloga Teresa Villamarin em atendimento e aplicação de laserterapia no leito da internação | Foto: Divulgação/HCB

Atualmente, o corpo clínico é composto por cirurgiões-dentistas com pós-graduação em áreas como odontopediatria, pacientes com necessidades especiais, endodontia e odontologia hospitalar, além de técnicas em saúde bucal. Essa composição multidisciplinar e altamente especializada é fundamental para enfrentar o desafio de atender pacientes que, muitas vezes, chegam à primeira infância sem histórico de cuidados bucais, apresentando quadros que podem agravar o estado de saúde. “Os cuidados odontológicos são necessários para eliminar e/ou evitar infecções de origem odontogênica [origem da formação dentária] que podem contribuir para o agravamento das doenças sistêmicas relacionadas à condição base da saúde da criança, bem como para tratar as manifestações orais secundárias ao tratamento medicamentoso, quimioterápico e radioterápico”, explica a supervisora do serviço.

Tecnologia e técnicas que ampliam a segurança assistencial

A jornada do cuidado odontológico das crianças atendidas no HCB começa com acolhimento e análise criteriosa. Além da precisão técnica e formação qualificada dos profissionais, há, no HCB, uma premente estratégia institucional da busca pelo aperfeiçoamento tecnológico, inovação e humanização do cuidado assistencial. 

O uso de aparelhos de raios-X e equipos odontológicos portáteis permite que o atendimento ocorra diretamente no leito de internação, Unidade de Terapia Intensiva ou mesmo, no centro cirúrgico, minimizando o estresse do paciente com deslocamentos. Procedimentos como extrações dentárias, raspagens, controle de infecções e intervenções em lesões orais são realizados com segurança, evitando o deslocamento de pacientes críticos e garantindo continuidade assistencial.

Outro diferencial do HCB está no uso sistemático e na implementação de protocolos atualizados de fotobiomodulação, a laserterapia, uma tecnologia segura e eficaz amplamente utilizada no suporte a pacientes oncológicos. Trata-se de uma radiação não ionizante, com propriedades analgésicas, anti-inflamatórias e cicatrizantes, aplicada tanto de forma preventiva quanto terapêutica.  Aplicação dessa técnica tem papel central na prevenção e no tratamento da mucosite oral (complicação frequente e dolorosa da quimioterapia) e de infecções oportunistas em pacientes com baixa na imunidade.

Sarah Dantas (16) é a filha caçula de João Dantas Filho, e está internada para tratamento oncológico no Hospital da Criança de Brasília. Em uma sessão de atendimento com a odontologia, ela passou por avaliação e aplicação de laserterapia com finalidade preventivas e terapêuticas. "É muito melhor ser atendida no leito, porque tem vezes que a gente toma a quimioterapia e o nosso corpo fica mais debilitado, a gente fica enjoada, a gente fica mais fraca. E eles virem aqui atender a gente é bem melhor que a gente ter que ir. E o laser não tem nenhuma dor, nenhum incômodo", afirma Sarah.

Conforme a odontóloga do HCB, Teresa Villamarin, "a laserterapia é importante porque algumas quimioterapias são muito agressivas para a mucosa oral e gastrointestinal, provocando a mucosite oral, que são úlceras extremamente dolorosas que dificultam a alimentação e a fala".  Para a especialista, a intervenção preventiva com radiação não ionizante é crucial para evitar a interrupção de ciclos de quimioterapia ou a necessidade de inserção de sondas nasogástricas devido à perda de apetite ou dores na boca, por exemplo.

A inovação também se expressa na adaptação das tecnologias muito próprias do "universo pediátrico". Um exemplo é a recente incorporação do azul de metileno na forma de pirulito, que ampliou a aceitação das crianças ao tratamento e potencializa os efeitos terapêuticos da laserterapia. "A interação e troca com todas as equipes de assistência do HCB faz parte da nossa busca constante por compreender as necessidades dos nossos pacientes e cuidar de forma integral e humanizada. O fotossensibilizante azul de metileno que utilizávamos em forma de líquido, e que era parcialmente aceito por crianças de tenra idade, agora é disponibilizado em forma de pirulito, com a mesma eficiência e com uma forma de apresentação mais lúdica", destaca Passos.

Educação em saúde e continuidade do cuidado

No ambiente de terapia intensiva e internações, a atuação odontológica é pautada, também, pela vigilância epidemiológica e controle de infecções. A odontóloga do HCB, Nathalia Machado, explica que evidências científicas corroboram a ligação entre "bactérias da cavidade oral, que se tornam mais patogênicas durante a internação, e a pneumonia associada à ventilação mecânica". Nesses cenários, a equipe realiza procedimentos de alta complexidade beira-leito, incluindo extrações dentárias de urgência em pacientes entubados e raspagens periodontais, garantindo que o foco infeccioso oral não comprometa o pulmão ou a corrente sanguínea.

Portanto, principalmente quando da alta hospitalar, a parceria com as famílias se constitui como o elo mais especial e sofisticado dessa corrente. Para mães como Maria Sebastiana Aguiar, de Marajó-Goiás, que dedica 24 horas ao cuidado da filha Luara, paciente com condição neurológica complexa, o suporte hospitalar vai além do técnico. "A gente vem atrás da saúde dos nossos filhos, procura a melhoria, e aqui fomos muito bem recebidos. Ela foi bem cuidada", relata Maria.

Complementarmente ao atendimento assistencial, o hospital desempenha papel fundamental na educação e continuidade do cuidado sobre saúde bucal na infância e adolescência. A orientação aos pais e cuidadores é considerada parte essencial da jornada do cuidado no HCB. "Oferecemos orientação sobre cuidados de higiene oral e alimentos potencialmente causadores de cárie em todas as consultas ambulatoriais; higiene oral supervisionada realizada pelas técnicas em saúde bucal na sala de escovação; orientações e higiene oral beira-leito para pacientes internados; atividades lúdicas no hall central com temas relacionados à saúde bucal; temos impresso guia de saúde bucal para pacientes e familiares; participamos da elaboração da cartilha da oncologia e hematologia", destaca Flávia de Passos. 

Mesmo que o atendimento do HCB seja dedicado ao paciente de alta complexidade, do ponto de vista odontológico, a Atenção Primária é imprescindível para acolher e promover a saúde bucal aos usuários que não fazem parte do perfil de atendimento do hospital, ou mesmo aqueles que passam pela transição de cuidado para outras unidades de saúde quando atingem a maioridade.

Vale ressaltar que o êxito do tratamento no HCB depende de uma engrenagem integrada. O acesso à atenção hospitalar especializada no SUS é realizado via regulação e, em Brasília, o Complexo Regulador em Saúde do Distrito Federal (CRDF) possui essa atribuição. Apenas crianças e adolescentes com condições crônicas e raras de saúde são encaminhados para tratamento no Hospital da Criança de Brasília. Aqueles usuários com necessidades de menor complexidade são referenciados para a Atenção Primária à Saúde, as Unidades Básicas de Saúde (UBS), fortalecendo o fluxo e a integração no âmbito do SUS.

*Com informações do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB)