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DE OLHO NA POLÍTICA MANCHETES

A Política como Campo de Batalha: Da Falsa Mansidão à Violência Declarada

Por Redação 13/06/2026 às 10h35 • Atualizado em 13/06/2026 às 07h36
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Por: Eugênio Piedade

Por que o debate de ideias deu lugar às trincheiras, e o que a escalada de ataques recentes no Distrito Federal nos diz sobre o futuro da nossa democracia?

A política, em sua essência, nasceu como a arte de negociar conflitos e administrar o bem comum. No entanto, o cenário atual tem transformado esse espaço de debate em um verdadeiro campo de guerra. Entre partidos e apoiadores, a polarização deixou de ser uma divergência ideológica para se tornar um embate visceral. O adversário não é mais visto como alguém com quem se discorda, mas como um inimigo a ser abatido. E no meio desse fogo cruzado, a sociedade civil se pergunta: até onde vamos parar?

Porque o apego ao poder e as mascaras que caem são dois fenômenos que ajudam a explicar a toxicidade do atual ambiente político. O primeiro é o apego doentio ao poder. Políticos que encerram seus mandatos muitas vezes se recusam a aceitar a alternância natural da democracia. O medo de perder influência, foro ou privilégios faz com que prolonguem disputas, deslegitimem o sistema e inflamem suas bases para criar um clima de instabilidade constante.

O segundo fenômeno é a clássica fábula do "lobo em pele de cordeiro". Durante as campanhas, multiplicam-se os candidatos com discursos apaziguadores, promessas de união e sorrisos fáceis. Contudo, assim que assumem o poder ou enfrentam o primeiro grande revés, a máscara cai. A mansidão cede lugar ao autoritarismo, à recusa ao diálogo e, em muitos casos, à incitação da agressividade contra quem ousa atravessar seu caminho.

A ameaça direta e o caso Avante no DF, mostra quando o discurso de ódio é normalizado no palanque, a violência física e a intimidação tornam-se consequências inevitáveis nas ruas. Estruturar-se para uma eleição hoje exige não apenas capital político, mas coragem para enfrentar o extremismo.

Um reflexo alarmante dessa realidade foi registrado recentemente no Distrito Federal, com uma série de ataques coordenados contra pré-candidatos do partido Avante. Em um intervalo de apenas três dias, três incidentes graves de intimidação e vandalismo foram reportados, sendo dois deles contra mulheres ligadas a pautas de defesa de minorias:

  • Quarta-feira (10): A pré-candidata a deputada federal Glaucia do Arruda teve seu carro vandalizado. O veículo, que estava estacionado em frente à sua residência na Asa Sul, foi pichado com ofensas, em uma clara tentativa de intimidação psicológica e invasão de sua paz no ambiente doméstico.

  • Quinta-feira (11): No Gama, o alvo foi um outdoor do projeto Radar Santa Maria e Gama, ligado ao pré-candidato Daniel Radar. A estrutura de comunicação foi criminosamente incendiada na calada da noite.

  • Sexta-feira (12): O caso mais recente e direto de ameaça física. No início da noite, um homem invadiu o escritório de marketing da pré-candidata a deputada distrital Ana Ferola, localizado no Polo de Artes da ESAF, no Jardim Botânico. A candidata estava em reunião com sua equipe quando o invasor entrou, desferindo ameaças diretas contra a integridade física de Ana e dos presentes.

Até onde vamos parar? essa é a pergunta, os ataques aos pré-candidatos do Avante não são apenas crimes contra indivíduos ou contra um partido específico; são ataques frontais à própria engrenagem democrática. Quando o medo se torna uma ferramenta de campanha e a violência substitui o voto como forma de decidir quem tem voz, o sistema inteiro entra em colapso.

A resposta para a pergunta "até onde vamos parar?" depende, agora, da firmeza das instituições. É necessário que as autoridades policiais e eleitorais investiguem os casos com celeridade e punam os responsáveis. Mais do que isso, exige-se da sociedade uma recusa absoluta em normalizar a barbárie. Se aceitarmos a política como um campo de guerra literal, seremos todos nós, independentemente de partido, as vítimas civis desse conflito.

"É inadmissível o que esta acontecendo na política de hoje, repreendo toda e qualquer forma de violência politica e reforço que o nosso partido está dando todo o suporte aos nossos pré-candidatos para que continuem atuando de forma correta e séria", Gim Argello presidente do Avante-DF.

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