Estudante de medicina morreu com mais de 100 facadas; namorado nega
O auto de prisão em flagrante de Gustavo Dutra Lima, de 24 anos, apontado como o responsável pela execução brutal da estudante de medicina Letícia de Morais Vasconcelos Rodrigues, de 40, em Barbacena, no Campo das Vertentes, revela que a vítima recebeu mais de 100 golpes de faca.
“A vítima foi atingida, inacreditavelmente, por mais de uma centena de golpes, que lhe causaram múltiplas lesões e vasto derramamento de sangue”, pontua o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) no documento.
Segundo consta no boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, a perícia da Polícia Civil identificou diversas perfurações em várias partes do corpo da vítima: cabeça, nuca, pescoço, costas, orelhas e mãos.
Ao justificar a conversão da prisão em flagrante em preventiva, a Justiça destacou que Gustavo, além de fugir logo após o crime no sábado (27/6), utilizou o veículo da vítima para deixar Barbacena, sendo localizado na madrugada de domingo (28/6) somente após uma operação de cerco e bloqueio da PM em Bom Jardim de Minas, no Sul do estado.
Com ele, a polícia localizou pertences de Letícia, como aparelho celular, iPad, cartões bancários, chave do veículo e documentos pessoais.
No auto de prisão em flagrante foi registrado que, em depoimento, Gustavo admitiu ter passado a noite com a vítima, mas negou ter cometido o crime. No documento consta que ele optou por “permanecer em silêncio sobre outros detalhes do fato delituoso e recusou-se a fornecer a senha de acesso aos dispositivos móveis apreendidos”.
Procurada pelo Estado de Minas, a defesa de Gustavo Dutra Lima disse que "não se manifestará sobre os fatos relacionados à investigação em curso".
"Em respeito à regularidade das apurações, ao devido processo legal e à estratégia defensiva, quaisquer esclarecimentos ou manifestações serão apresentados exclusivamente nos autos, no momento processual oportuno e perante as autoridades competentes", declarou a advogada Tatiana Cristina Cavalieri Tomaz da Silva Chaves.
O que consta no boletim de ocorrência?
De acordo com o boletim de ocorrência da PM, os agentes foram acionados via 190 após relatos de que uma mulher havia sido encontrada sem vida.
A preocupação começou no sábado, quando uma amiga da vítima estranhou a ausência de respostas a mensagens enviadas. Ciente do hábito da vítima em responder rapidamente, a amiga foi até o prédio e pediu ajuda à proprietária do apartamento ao lado. Sem sucesso nas tentativas de contato, acionou também o ex-marido da vítima.
O ex-companheiro conseguiu acessar o segundo andar do imóvel por uma sacada vizinha. Ao se aproximar da escada do apartamento, ele visualizou o corpo da vítima caído na sala em meio a uma grande quantidade de sangue. Assustado, ele retornou e arrombou a porta principal do apartamento com a ajuda da amiga e do padrasto da vítima, que também havia chegado ao local.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) compareceu ao lugar e a médica responsável atestou a morte.
O corpo foi removido pelo serviço funerário local e o veículo da vítima, um Chevrolet Tracker cinza, que não estava na garagem do prédio, foi apreendido depois de ser localizado abandonado na Rua Ferdinando Ceolin.
Nesta segunda-feira (29/6), o Estado de Minas conversou com Francisco Daniel Siqueira, de 47 anos, ex-marido de Letícia. Eles tiveram dois filhos: uma menina, de 11, e um adolescente, de 16. O relacionamento durou 16 anos.
"Quando você sabe que uma pessoa morreu já é muito difícil. Mas quando sabe que ela foi assassinada da forma como foi, é diferente. Os meninos estão sem chão. Eles veem tudo nas notícias, nas redes sociais, perguntam o que está acontecendo. É uma situação muito pesada para eles", disse, emocionado.
Histórico de ameaças
Testemunhas relataram aos policiais que, na noite anterior ao crime, o casal esteve junto em um evento social na companhia de amigos. Ele teria passado a madrugada na residência de Letícia e deixado o prédio pela manhã.
Relatos apontam que o relacionamento era marcado por comportamento agressivo e ciúme excessivo. Consultas ao sistema informatizado de segurança revelaram que a vítima já havia registrado uma ocorrência anterior de ameaça contra o namorado em 21 de fevereiro deste ano.
Após o crime, o homem fugiu. Amigos tentaram contato telefônico com ele, que atendeu demonstrando aparente tranquilidade e alegando não saber o paradeiro da namorada, mentindo que estava em sua residência ou na casa dos pais, em Carandaí.