Rádio EG News Quarta, 23 de setembro de 2026 23/09/2026
EG News
Siga-nos
Empresas Privadas GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL

Setembro Amarelo

Imagem da matéria

 

Pressão por produtividade pode transformar sonhos em fonte de frustração

Professora da Estácio Brasília alerta que padrões sociais de sucesso podem ampliar a sensação de insuficiência e afastar as pessoas dos próprios desejos

Ganhar mais, crescer profissionalmente, alcançar determinado padrão corporal, viajar e cumprir metas na idade considerada ideal. Em uma sociedade orientada pelo desempenho, os sonhos também podem deixar de expressar desejos pessoais e se transformar em cobranças.

“A pessoa já não pergunta apenas ‘o que faz sentido para mim?’, mas ‘o que eu deveria estar conquistando nesta idade?’. Isso pode gerar uma sensação contínua de insuficiência, mesmo quando há aspectos importantes da vida funcionando bem”, afirma a professora de Psicologia da Estácio Brasília Thayene Belo.

Durante o Setembro Amarelo, a especialista alerta para a perda persistente da capacidade de imaginar um futuro que desperte interesse ou expectativa.

“Perder momentaneamente a capacidade de ‘sonhar’ não significa necessariamente estar adoecido. Mas merece atenção quando a pessoa percebe que deixou de desejar de forma persistente e passa a enxergar o futuro apenas como repetição das dificuldades atuais”, explica.

O Brasil registrou 16.751 mortes por suicídio em 2024, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. O número equivale a aproximadamente uma morte a cada 31 minutos e representa crescimento de 8% em relação a 2021.

Sonhar não é apenas alcançar metas

Para Thayene, recuperar a perspectiva de futuro não significa criar necessariamente um grande projeto. Pode representar voltar a desejar experiências simples, como encontrar alguém, aprender algo, descansar ou comemorar uma data.

A professora também ressalta que saúde mental não depende exclusivamente de escolhas individuais. Trabalho, renda, vínculos, acesso ao cuidado, violência, discriminação e outras condições concretas interferem na possibilidade de construir esperança.

“Talvez seja importante recuperar uma ideia mais ampla de futuro: não apenas aquilo que queremos conquistar, mas aquilo que ainda conseguimos imaginar como possível, desejável e digno de ser vivido”, conclui.

Pessoas em sofrimento podem procurar uma Unidade Básica de Saúde ou um Caps. O Centro de Valorização da Vida oferece atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188.