“Você já sofreu assédio em algum momento da sua vida? E será que você já assediou alguém?” A pergunta, feita pela corregedora do Ministério da Previdência Social, Vládia Pompeu, provocou uma reflexão entre os participantes do IV Seminário de Combate e Prevenção ao Assédio do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), realizado nesta quinta-feira (29), no auditório do Shopping ID. O evento teve como tema “Um ambiente seguro começa com todos nós”.
Durante a palestra, a especialista apresentou situações que podem passar despercebidas nas relações profissionais, mas causar constrangimento e configurar comportamentos abusivos. Interromper repetidamente um colega durante reuniões, fazer comentários impróprios e direcionar olhares de conotação sexual foram alguns dos exemplos discutidos.
Os dados apresentados por Vládia Pompeu mostram a dimensão do problema. Segundo informações citadas pela palestrante, a Justiça do Trabalho registrou, em 2025, 142.828 novos processos relacionados ao assédio moral, aumento de 22% em relação ao ano anterior. Já as ações envolvendo assédio sexual chegaram a 112.813, crescimento de 40%.
A especialista também apresentou resultados da pesquisa Trabalho sem Assédio, da Think Eva. Entre os dados destacados estão o relato de situações de assédio por 57% dos entrevistados e o fato de que apenas 10% das mulheres que sofreram assédio sexual procuraram os canais de denúncia das empresas.
Lideranças têm papel na prevenção
A forma como gestores conduzem equipes, fazem cobranças e se comunicam com os colaboradores também foi abordada durante o seminário, promovido pela Coordenação de Compliance e Governança, em parceria com a Diretoria de Inovação e Ensino (Diep). A coordenadora de Compliance e Governança do IgesDF, Lorena Mayla, apresentou a proposta de atualização da Política de Combate e Prevenção ao Assédio do Instituto.
A revisão busca adequar as orientações institucionais às novas formas de interação no trabalho, incluindo situações envolvendo mensagens, reuniões virtuais, grupos profissionais e redes sociais. Também prevê o aprimoramento das medidas de acolhimento, a proteção das pessoas envolvidas, a prevenção de retaliações e a atenção aos riscos psicossociais.
Lorena também destacou a responsabilidade individual na prevenção: “Prevenir o assédio exige conhecimento para reconhecer condutas inadequadas, abertura para ouvir e responsabilidade para agir. Exige também coerência entre os valores que afirmamos e as atitudes que praticamos no dia a dia”.
Entre os participantes, a chefe do Núcleo de Emergências e Internações do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), Vanessa Oliveira, destacou a importância da iniciativa para a rotina das equipes: “É um tema muito necessário para que as equipes e os chefes entendam que, mesmo que não haja intenção, o constrangimento pode acontecer. Quando a gente participa desses treinamentos, acaba tendo uma visão mais ampla de como abordar e tratar o colaborador, entendendo a particularidade de cada um”, .
Como identificar e buscar orientação
A corregedora do IgesDF, Danielle Lontra, explicou como diferenciar condutas abusivas de atos legítimos de gestão e abordou a importância do consentimento nas relações interpessoais.
“Se a outra pessoa não validou, aceitou ou permitiu aquela ação, a gentileza se transforma em invasão. O consentimento é essa fronteira. Ele precisa ser livre, explícito e consciente. Se você não tem certeza, a resposta é não”, esclarece.
A atuação da Controladoria do instituto também foi apresentada pela controladora Vanessa Tchelzoff, que compartilhou experiências práticas e orientou os participantes a buscar apoio antes de tirar conclusões precipitadas sobre possíveis irregularidades. “Contem conosco para ser um apoio, para desconstruir o denuncismo e ajudá-los na gestão. Não se omitam”, afirmou.