Peggy Flanagan vence em Minnesota e será a primeira senadora indígena dos EUA
Vice-governadora, integrante da White Earth Nation e filha de um ativista histórico, ela derrota Michele Tafoya por 53,7% a 43,5% e mantém no campo democrata a cadeira deixada por Tina Smith.
A democrata Peggy Flanagan venceu nesta terça-feira (3) a disputa pelo Senado dos Estados Unidos por Minnesota e se tornará a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira no Senado americano. É também a primeira pessoa não branca eleita senadora pelo estado.
Com 99% das urnas apuradas, segundo a Associated Press:
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Candidato |
Partido |
Votos |
Percentual |
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Peggy Flanagan |
Democrata |
1.520.299 |
53,7% |
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Michele Tafoya |
Republicana |
1.232.683 |
43,5% |
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Outros candidatos |
— |
77.400 |
2,7% |
A vantagem sobre Tafoya é de 287.616 votos. A projeção da vitória foi feita pela AP às 5h07 (horário de Brasília) de 4 de novembro.
1 · A segunda barreira rompida no mesmo ciclo
A vitória de Flanagan fecha um par de marcos indígenas nas midterms de 2026. Já no início da noite, a AP havia projetado a vitória de Deb Haaland no Novo México — a primeira mulher indígena eleita governadora de um estado americano.
Juntas, as duas eleições colocam, pela primeira vez na história, mulheres indígenas simultaneamente em um governo estadual e no Senado. E não foi uma disputa isolada: três mulheres indígenas concorriam ao Senado neste ciclo, e todas tinham chance de ser a primeira. Flanagan foi a que venceu.
2 · Quem é Peggy Flanagan
Flanagan tem 47 anos e é membra inscrita da White Earth Nation, nação ojibwe no noroeste de Minnesota. É uma *Anishinaabe Kwe* — uma mulher ojibwe, como ela mesma se apresenta.
O pai dela foi Marvin Manypenny, ativista histórico da White Earth e figura central na luta pelos direitos indígenas em Minnesota, que morreu em 2020. A trajetória política da filha é frequentemente lida como continuidade desse trabalho — e ela própria usou a própria criação para se conectar com eleitores apertados financeiramente, tema central da campanha.
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Período |
Cargo |
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2005 — 2009 |
Conselho de Educação de Minneapolis (*Minneapolis Board of Education*) — primeiro cargo eletivo |
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2009 — 2019 |
Câmara dos Representantes de Minnesota |
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2019 — atualidade |
Vice-governadora de Minnesota, ao lado de Tim Walz |
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2026 |
Senadora eleita dos Estados Unidos por Minnesota |
A primeira eleição dela foi para o Conselho de Educação de Minneapolis, onde serviu de 2005 a 2009 — a educação pública segue como uma das marcas da carreira dela. Depois, passou dez anos na legislatura estadual antes de assumir a vice-governadoria em 2019.
3 · A cadeira e o que ela representa
A vaga estava aberta: era a de Tina Smith, que não disputou a reeleição. Sem incumbente, a disputa era tratada como parte de um jogo maior pelo controle do Senado — Minnesota é um estado de tendência democrata, mas com disputas competitivas no nível estadual.
A cadeira foi mantida no campo democrata, e a eleição de Flanagan se soma à onda que devolveu ao Partido Democrata o controle das duas casas do Congresso: 228 a 139 na Câmara e 54 a 44 no Senado. Na mesma eleição, Amy Klobuchar — a outra cadeira de Minnesota — também foi projetada vencedora pela AP.
4 · A adversária e a sombra da fraude
A republicana Michele Tafoya é ex-locutora esportiva da NFL, sem mandato eletivo anterior. A campanha dela tentou transformar a eleição num referendo sobre o escândalo de fraude em serviços sociais que atingiu o governo estadual, e Flanagan teve de responder a perguntas sobre o caso ao longo de toda a corrida.
Ainda assim, ela liderou as pesquisas públicas de forma consistente desde o início e venceu com folga — o que indica que o tema não foi suficiente para virar a disputa.
As pesquisas de opinião medem intenção de voto, não resultado, e esta reportagem não usa projeções como se fossem apuração. Os números citados são os da contagem oficial divulgada pela AP.
5 · O discurso da vitória
"Vocês me ajudaram a me tornar a primeira mulher indígena americana na história a ser eleita para o Senado dos Estados Unidos."
6 · O conjunto das barreiras rompidas
A eleição de Flanagan é uma das várias conquistas de representatividade registradas nas midterms de 2026 — e vale situá-la nesse conjunto:
· Peggy Flanagan (Minnesota) — primeira mulher indígena no Senado.
· Deb Haaland (Novo México) — primeira mulher indígena governadora de um estado.
· Keisha Lance Bottoms (Geórgia) — primeira mulher negra eleita governadora na história dos EUA.
· Gina Hinojosa (Texas) — primeira latina a governar o Texas, encerrando 36 anos de domínio republicano.
· Chris Pappas (New Hampshire) — primeiro homem abertamente gay no Senado.
· Abdul El-Sayed — primeiro senador muçulmano do país.
7 · Nota metodológica
Os resultados eleitorais são da Associated Press, com 99% das urnas apuradas, segundo os painéis da NPR atualizados às 10h11 (horário de Brasília) de 4 de novembro de 2026. A projeção da vitória foi feita pela AP às 5h07 (horário de Brasília) do mesmo dia.
Os percentuais mudam conforme a contagem avança. Os painéis locais do KSTP, com 94% das seções apuradas (3.856 de 4.105), registravam 54% a 43% — Flanagan com 1.469.773 votos e Tafoya com 1.157.294. O Ballotpedia, com fonte no *The New York Times* e no *Decision Desk HQ*, apontava 53,8% para Flanagan. Esta reportagem usa o consolidado da AP, 53,7% a 43,5%, e nenhum desses números é definitivo até a certificação do resultado.
O perfil, a trajetória e os marcos históricos foram apurados em reportagens da MPR News, NPR, Axios Twin Cities, CBS News, Politico, ICT (Indian Country Today), USA Today, KSTP e Ballotpedia, de 3 e 4 de novembro de 2026, além do comunicado do Comitê Nacional Democrata.
A apuração ainda não estava encerrada no momento do fechamento desta edição, e os números podem sofrer pequenas alterações até a certificação.