Sustentabilidade, Soluções Baseadas na Natureza e Empregos Verdes: Larissa Schmit Defende Nova Agenda para o DF
Em entrevista ao programa "Junto e Misturado", a especialista em Direito Ambiental debateu resiliência climática, arborização das cidades, o papel da mulher e as propostas para o Distrito Federal.
Em participação no programa Junto e Misturado da TV EG News, apresentado por Walter Pinaia, a advogada, professora e especialista em direito ambiental Larissa Schmit abordou os desafios urgentes que o Distrito Federal enfrenta diante das mudanças climáticas globais e locais. Primeira doutora pela Faculdade de Direito da UnB e com passagens pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Larissa destacou que sustentabilidade não é apenas uma bandeira de preservação, mas um motor central da economia moderna.
Cidades Esponja e Jardins de Chuva: Soluções Menos Onerosas para Alagamentos
Um dos pontos centrais da discussão foi o manejo das águas e a drenagem urbana nas Regiões Administrativas (RAs) do DF. A especialista ressaltou a importância das soluções baseadas na natureza para mitigar episódios recorrentes de enxurradas e inundações em locais como São Sebastião e Vicente Pires.
“Soluções baseadas na natureza são aquelas que aproveitam a dinâmica natural do solo. As cidades pelo mundo estão trocando calçamentos impermeáveis por jardins de chuva, que facilitam a infiltração gradual da água no lençol freático, evitando grandes desastres a custos muito mais baixos que piscinões de concreto”, explicou Larissa.
A entrevistada citou o modelo internacional de “cidades-esponja” — conceito inspirado em dinâmicas semelhantes às do Pantanal e que valoriza a vegetação com raízes profundas, típica do Cerrado, para absorver e reter águas pluviais.
Arborização como Saúde e Infraestrutura Urbana
Larissa chamou atenção para a disparidade na distribuição de verde entre o Plano Piloto e as demais cidades do DF. Ela frisou que a presença de árvores não deve ser vista como luxo paisagístico, mas como componente essencial da infraestrutura pública e da saúde coletiva.
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Diferença térmica: Áreas desprovidas de cobertura vegetal enfrentam ilhas de calor severas, registrando temperaturas sensivelmente maiores do que quadras arborizadas.
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Impacto social: As populações com menor poder aquisitivo são as que mais sofrem com a falta de sombra, poeira e secas prolongadas, gerando sobrecarga no sistema de saúde e menor qualidade de vida.
Mobilidade Urbana e Descarbonização
Apontando que cerca de 60% das emissões de gases de efeito estufa no DF derivam dos transportes, a especialista alertou para o colapso viário diário vivido por moradores de diversas regiões, a exemplo do Jardim Botânico e São Sebastião.
Entre as saídas pontuadas, Larissa defendeu:
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A modernização e a eletrificação da frota de transporte coletivo;
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A ampliação do sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos);
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O planejamento logístico inteligente que evite a dependência exclusiva do transporte individual em direção à Esplanada dos Ministérios.
Escolas Solares e Empregos Verdes
Outro tema defendido na conversa foi o programa de “Escolas Solares”. A proposta prevê que os novos prédios públicos e centros de ensino do DF contem obrigatoriamente, desde a fase de licitação, com painéis fotovoltaicos e reuso de água da chuva. Além de reduzir os elevados custos de energia elétrica do governo local, os colégios passariam a atuar como polos de educação ambiental e de capacitação técnica para jovens em profissões voltadas à transição energética.
“O Distrito Federal e o Centro-Oeste contam com índices de insolação privilegiados. Precisamos formar nossos jovens para a economia do futuro, gerando os chamados empregos verdes e incentivando o aproveitamento bioeconômico da flora do Cerrado em cosméticos e fármacos”, pontuou.
O Papel da Mulher e Políticas de Cuidado
Ao tratar do empoderamento feminino, Larissa destacou que as mulheres — especialmente as mães solo e as trabalhadoras de áreas rurais e periféricas — são as que mais absorvem o impacto das crises climáticas e da ausência de serviços essenciais. Para ela, a pauta da segurança e do combate à vulnerabilidade precisa estar alinhada à oferta ampla de creches públicas e escolas em tempo integral com esportes e cultura, assegurando autonomia financeira para as mulheres e horizontes de desenvolvimento para a juventude.
Assista à íntegra da entrevista no canal da TV EG News no YouTube: Assistir ao vídeo no YouTube.
Fonte: EG NEWS



