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Estudo aponta que 3 em cada 4 profissionais buscam atividades analógicas para mitigar fadiga mental em SP

Por Redação EG News • 28/09/2026 às 16h03 (Atualizado em 28/09/2026 às 16h05) • ⏱️ 7 min de leitura
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Levantamento do ateliê-escola mentalize mapeia o impacto do esgotamento digital na identidade; busca por práticas manuais vira resposta ao estresse em país que lidera índices de ansiedade.


SÃO PAULO – No epicentro de uma rotina hiperconectada, onde as entregas diárias frequentemente se dissolvem no ambiente digital, profissionais que atuam na capital paulista estão recorrendo ao fazer manual tátil como um mecanismo para desacelerar a mente. Impulsionado pelas discussões de saúde mental da campanha do Setembro Amarelo, um mapeamento realizado com profissionais de diferentes setores revelou que 3 em cada 4 participantes já sentiram a necessidade extrema de uma atividade totalmente offline para conseguirem se reconectar com suas próprias identidades fora do expediente.

Os dados coletados em São Paulo acendem um alerta sobre a atual relação entre o indivíduo e o ecossistema corporativo: cinco em cada oito entrevistados afirmam que o trabalho engole grande parte de quem eles são e que a rotina profissional ultrapassa de forma crônica os limites que gostariam de estabelecer para a vida pessoal.

 

 

Essa realidade local reflete um cenário macro preocupante: dados do IBGE apontam que o estresse e problemas de saúde mental já estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. Além disso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país lidera o ranking global de ansiedade, com quase 10% da população afetada, e ocupa a segunda posição mundial em casos de Burnout. É para responder a essa estafa urbana que o ateliê-escola de joalheria autoral mentalize, localizado na Vila Mariana, vem atuando de forma permanente. O espaço se transformou em um oásis de descompressão na capital paulista ao propor o resgate da presença física por meio da ourivesaria artesanal — um processo físico, lento e tátil, onde o aluno esculpe a peça à mão na cera ou metal.

Para a psicóloga Mariane Cabral, que analisa o cenário sob a ótica clínica e também vivencia o espaço como aluna do ateliê, o esgotamento contemporâneo está atrelado ao peso identitário colocado na carreira. "Ninguém nasce formado ou especialista. Nós executamos profissões, mas o sistema atual faz com que a identidade seja totalmente engolida pelo trabalho, funcionando de forma desequilibrada, onde o indivíduo se torna apenas uma extensão da sua produtividade", analisa a especialista. "Ambientes de trabalho manual e artístico, como o da mentalize, funcionam como um contraponto a isso porque são locais onde as pessoas podem desacelerar, olhar para si e resgatar o contato com a liberdade do erro."

A substituição temporária do ambiente de pixels pelo contato físico tátil gera impactos biológicos diretos no controle da ansiedade urbana. "Quimicamente, o uso excessivo de telas estimula a liberação de mais cortisol, o hormônio do estresse. As atividades manuais vão no oposto: diminuem a liberação desse hormônio porque nos trazem para o concreto. Ao interagir com algo tridimensional e físico, a mente se afasta do ambiente abstrato que serve de base para a ansiedade crescer. Ali, vive-se os processos naturais de construir, errar e se frustrar de forma saudável", explica Mariane.

De acordo com os dados de mercado, essa busca pela descompressão coletiva também está transformando o ambiente corporativo interno. O método da mentalize contrapõe o isolamento das bancadas individuais da joalheria tradicional ao apostar em uma dinâmica de mesa compartilhada. O formato — que já atraiu sessões de descompressão corporativa (team building) para colaboradores de gigantes da tecnologia como Meta Brasil, Pinterest e 99 Taxi — serve de cenário para o desenvolvimento de projetos autorais, mas, sobretudo, para a quebra de hierarquias corporativas. Sem a possibilidade mecânica de segurar o celular enquanto utilizam ferramentas manuais, os profissionais quebram distâncias formais através de conversas leves e interações espontâneas.

"Quando recebemos equipes, todos se colocam num lugar de novidade e descontração. Ali, a necessidade de se provar profissionalmente fica menor e cede espaço para a parte humana", explica Isabella Cotta, cofundadora da mentalize. "Muitas vezes, líderes acostumados com a alta performance chegam mais ansiosos e estressados, mas vão se desarmando ao entender que estão em um ambiente onde não precisam performar. Eles se mostram vulneráveis e humanos para seus liderados, enquanto profissionais mais tímidos, que lidam melhor com o tempo lento do processo manual, ganham destaque de forma natural."

Essa interação sem filtros é potencializada pela estrutura física do ateliê-escola, que aposta em uma mesa em formato de colmeia. "Esse formato faz um convite para a gente sentar e trabalhar em coletividade tudo aquilo que está se vivendo no momento. O que é externo entra na mesa como desabafo, mas ali dentro se constrói uma amizade nova a partir daquele espaço da joia", destaca Isabella.

Para a psicóloga Mariane Cabral, essa dinâmica horizontal é o que consolida o bem-estar no espaço. "É muito fácil ficar mergulhado em problemas quando estamos sozinhos dentro da nossa cabeça. Na mesa coletiva, ao compartilharmos histórias, erros, términos e conquistas com as mãos ocupadas, somos lembrados de que existe um mundo além de nós. Lembramos do nosso real valor pelo que somos, e não apenas pelo que fazemos para produzir e gerar dinheiro", conclui.

 

 

SOBRE O LEVANTAMENTO:
Os dados locais foram coletados de forma agregada e anônima entre os meses de agosto e setembro pelo ateliê-escola mentalize joias, espaço de criação autoral localizado na Vila Mariana, em São Paulo, focado em experiências de presença e ourivesaria artesanal. O espaço oferece cursos regulares, dinâmicas corporativas de team building sob demanda e oficinas integrativas.

●    Informações institucionais e projetos: https://www.instagram.com/mentalize.joias/
●    Site oficial: mentalizejoias.com.br

CONTATO DE IMPRENSA:
Mayara Neudl – Assessoria de Relações Públicas
WhatsApp: (11) 97605-2544 | E-mail: mayaraneudl@gmail.com