A Escolha Entre o Medo e o Amor - Qual Será a Sua?
Coluna de Walter Pinaya - Portal EGNews
O Brasil está numa encruzilhada sem precedentes. A poucos dias do segundo turno das eleições, o que está em jogo vai muito além das fronteiras nacionais, é a peça-chave do equilíbrio político da América Latina e do xadrez geopolítico global no Sul Global. Quando um país que abriga reservas estratégicas de minerais críticos e terras raras faz sua escolha, o mundo inteiro para querendo observar.
O mundo hoje parece um teatro rasgado ao meio. Do outro lado do Atlântico, um presidente é retirado de casa à força; no céu do Oriente Médio, caças cruzam bairros residenciais de Teerã; no Caribe, Cuba sobrevive sob bloqueio petrolífero. Não são crises isoladas, é uma lógica sistêmica onde certas potências tentam arrastar o planeta de volta à velha era do "quem tem o porrete manda". A China controla 70% da mineração, 85% do refino e cerca de 90% da produção de ímãs de terras raras do mundo. Só isso já basta para que Washington moderar a hostilidade habitual na mesa de negociações. O Sul Global, enquanto isso, fala cada vez mais alto, chega.
No Brasil, o preço do medo está sendo cobrado de verdade. Julho de 2026 foi o julho mais quente já registrado, empatado com 2024, desde 1850. A temperatura da superfície dos oceanos bateu recorde histórico para o mês. América do Norte, África e Ásia viveram seus julhos mais quentes. Isso não é dado abstrato, é floresta queimando, rio secando, lavoura morrendo. A lógica do medo é simples, ela te faz acreditar que o vizinho é inimigo, que o ódio compra segurança temporária, que "nós" e "eles" precisam de um muro cada vez mais alto.
Mas sinais de esperança também piscam. Segundo o INPE, de agosto de 2025 a julho de 2026, os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 36,87%, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2016. No Cerrado, a queda foi de 7,8%. Esses números provam uma coisa, que quando se escolhe agir em vez de calar, proteger em vez de saquear, a mudança acontece. Defender terras indígenas, garantir a Constituição de 1988, resistir aos ataques ao Judiciário, não é pauta de esquerda ou de direita. É pauta de sobrevivência.
Medo e amor, no fundo, são duas apostas sobre a natureza humana. O medo aposta que somos maus por instinto, que só a força protege, que diálogo é fraqueza. O amor aposta que existe outra possibilidade e que construir é mais poderoso que destruir, que a conversa abre portas que o canhão não abre, que a dignidade humana vale mais que a ambição de qualquer líder ou nação. Não é otimismo ingênuo. É escolha lúcida num mundo incerto, você vai ser amplificador do medo ou condutor de luz?
Então a pergunta é, quando você abrir as redes sociais e ver postagens inflamadas, quando ouvir que "não é hora de conversar", quando sentir o medo querendo engolir a razão, qual caminho você escolhe? O medo, essa velha estrada que leva ao isolamento, ao conflito e à catástrofe? Ou o amor, esse caminho que exige coragem, paciência e fé para defender a democracia, a justiça, a vida e este planeta? A resposta não está em nenhum candidato. Está na sua mão. Porque, no fim, são as escolhas pequenas de cada dia como não espalhar ódio, checar os fatos, dar voz a quem não tem, que viram a correnteza da história. A resistência começa em você.
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