Celina tem muito a explicar
Os ataques de Celina Leão a mim têm dois objetivos: reduzir a visibilidade de Leandro Grass, seu adversário no segundo turno, e desviar a atenção da própria gestão. Ao me transformar no principal alvo, ela evita discutir suas propostas e os episódios que envolvem seu nome e sua família.
Nossa divergência tem um histórico judicial. Movi uma ação contra Celina por calúnia e difamação. Ela se defendeu alegando imunidade parlamentar e jamais comprovou as acusações que fez. Celina sempre foi assim: acusa, mente e se vale dos cargos que ocupa para se safar.
Mas é preciso deixar claro: ela está enganada se acha que, acusando, vai se livrar de responder por seus atos. A população do DF não é boba e exige explicações.
A Operação Drácon, por exemplo, investigou a solicitação de mais de R$ 3 milhões em propina para liberar emendas destinadas a serviços de UTIs e à manutenção de escolas públicas. Nesse caso, Celina foi denunciada por corrupção passiva e improbidade administrativa e afastada da presidência da Câmara Legislativa. Até hoje, o processo tramita na Justiça.
Celina também deve explicações sobre os R$ 1,4 milhão repassados pela Real JG Facilities, contratada pelo GDF, à Faceng Engenharia, ligada à sua família. Foram 14 pagamentos de R$ 100 mil. Ela se recusa a tornar públicos os contratos, os critérios de contratação e a comprovação dos serviços prestados.
Há ainda o caso do “Embrião de Ouro”. Nele, Celina é acusada de ser sócia do dono da Urbi, empresa de transporte que recebe bilhões dos cofres do GDF. Segundo a denúncia, os dois se juntaram para comprar, por mais de R$ 500 mil, um embrião de gado nelore. Além do valor exorbitante, há, no mínimo, um flagrante conflito de interesses. Imagine se todo governador resolvesse ser sócio de algum prestador de serviços do GDF?
Se Celina quer comparar os governos, eu topo: durante a minha gestão, criei o Hospital da Criança, implantei seis UPAs, o BRT Sul e 57 creches, além de ter renovado toda a frota de ônibus. Também concedi reajustes e reestruturei as carreiras de 32 categorias do funcionalismo.
Já Celina assinou o Decreto nº 48.509/2026, que proibiu reajustes e reestruturações de carreiras para os servidores.
O curioso é que essa regra não vale para chefes e assessores. Exemplos não faltam: para os chefes da área de educação, concedeu um aumento de 25%; para os assessores da CLDF, elevou a Gratificação de Atividades Legislativas em até 30%. Não tenho nada contra esses aumentos, mas por que só para chefes e assessores, e não para todos os servidores?
No campo financeiro, a crise do BRB exige respostas sobre os créditos adquiridos do Banco Master sem o lastro exigido, a dimensão dos prejuízos, os responsáveis e os mecanismos de controle. Em quantos bilhões o BRB foi assaltado: R$ 12 bilhões, R$ 17 bilhões ou R$ 20 bilhões? O DF precisa saber. Celina diz que não sabia. Vorcaro diz que ela participou das tratativas. Perguntasque não querem calar: por que, até hoje, ela não mandou investigar Ibaneis? E onde ele está? Ele participará de um eventual governo dela?
E mais: de onde vem o dinheiro para socorrer o BRB? Que custos recairão sobre Brasília e quais serão os efeitos sobre receitas, investimentos, serviços públicos e concursos?
Também é necessário esclarecer a aplicação de R$ 120 milhões do Fundo de Saúde em CDBs do BRB. Qual foi a finalidade da operação? Quais riscos e garantias existiam? Como foi assegurada a proteção dos recursos do SUS?
Transparência é fundamental em um governo. Por isso, Celina, explique a venda de créditos do governo para especuladores, com descontos de até R$ 52 bilhões sobre o valor principal. E, nesses acordos, o repasse de 50% à previdência dos servidores está sendo cumprido?
Essas perguntas não representam condenação antecipada. São uma cobrança legítima por transparência quando estão em jogo dinheiro público, serviços essenciais e o futuro financeiro do Distrito Federal.
Celina pode me atacar e me caluniar, mas não pode — e não vai — fugir da obrigação de prestar contas à população. Brasília precisa de respostas claras sobre o presente e de propostas concretas para o futuro. Brasília precisa de um governo decente.
AGNELO QUEIROZ
Deputado Federal Eleito