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Sem Flávio e sem Jair, a direita começa a disputar o espólio

Por Redação EG News • 26/10/2026 às 18h25 (Atualizado em 26/10/2026 às 18h28) • ⏱️ 5 min de leitura
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Segunda derrota consecutiva do bolsonarismo na eleição presidencial · Tarcísio e Michelle surgem como nomes mais cotados para 2030, e Nikolas Ferreira lidera entre os jovens, sem idade mínima para concorrer · 26 de outubro de 2026

O primeiro movimento do PL, segundo análise veiculada nesta segunda-feira, foi apresentar Flávio como candidato natural em 2030 — argumentando que ele recebeu mais de 50 milhões de votos e seria a principal liderança da direita. A tese, porém, é contestada por outros setores do campo conservador, e a margem da derrota dá a ele argumento para reivindicar uma segunda chance.

5 · Por que isso importa agora, e não em 2030

A sucessão já produz efeitos práticos no presente, em dois planos.

No plano jurídico, Flávio perde o foro privilegiado com o fim do mandato, e a maior parte dos ministros do Supremo deve manter as apurações na Corte ainda depois disso. Sem mandato, ele deixa de ser o ponto de convergência institucional do campo.

No plano político, a contestação da eleição — a anulação anunciada e o pedido de cassação da chapa — depende do respaldo que ele ainda consegue mobilizar. A nota do PL, assinada por Valdemar Costa Neto, reconheceu o resultado proclamado pelo TSE sem endossar a iniciativa. Partidos que o apoiaram no segundo turno reconheceram a vitória: Republicanos, com Marcos Pereira; União Brasil, com Antonio Rueda; MDB, que parabenizou Lula. Dirigentes do Centrão atribuíram a derrota à "soberba" e à "arrogância" e sinalizaram reaproximação com o governo.

O campo conservador, portanto, já se comporta como se a sucessão tivesse começado — enquanto o candidato derrotado ainda tenta sustentar que ela não terminou.

6 · O que observar

●        se Tarcísio assume ou recusa explicitamente o papel de nome nacional do campo;

●        como Michelle constrói o mandato no Senado e se distingue, na prática, do projeto de Flávio;

●        se Nikolas Ferreira mantém a ambiguidade entre o discurso que contesta o resultado e a orientação de não levar apoiadores às ruas;

●        como o PL resolve a convivência entre a direção que reconheceu o resultado e o candidato que não reconhece;

●        a disputa interna sobre a responsabilidade pela derrota em Minas Gerais, onde uma ala do partido responsabiliza Nikolas Ferreira;

●        se Flávio trabalha para se manter como candidato natural em 2030 ou se a derrota abre espaço para que o campo escolha outro nome;

●        como o cenário internacional — em particular a situação política nos Estados Unidos — afeta a leitura do campo conservador sobre a própria força.

7 · Nota metodológica

As avaliações sobre os nomes cotados para 2030 são atribuídas a presidentes de partidos, a uma ala da oposição e a analistas ouvidos pela imprensa, e não a pesquisa eleitoral divulgada. Não há, até o fechamento desta reportagem, levantamento quantitativo sobre intenção de voto para 2030.

Os dados eleitorais citados são os do Tribunal Superior Eleitoral: Lula teve 51,79% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro, 48,21%. A votação de Nikolas Ferreira para a Câmara, de 3,1 milhões de votos, é a maior da história para o cargo. Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro foram eleitos senadores pelo Distrito Federal e por Santa Catarina, respectivamente.

A afirmação sobre a idade mínima de Nikolas Ferreira para concorrer à Presidência decorre da exigência constitucional de 35 anos e é reproduzida por veículos que analisaram o cenário pós-eleitoral.

O relato sobre a reunião da noite da derrota é atribuído a relatos feitos à CNN Brasil, na apuração de Daniel Rittner, e a reportagens de O Globo e da Jovem Pan. As declarações de Michelle Bolsonaro sobre a relação com Flávio são públicas e foram registradas em junho de 2026.

As afirmações de aliados e dirigentes partidários estão atribuídas a quem as fez quando constituem alegação, e não fato verificado.

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