Combate à hanseníase exige diagnóstico precoce e amplo acesso à reabilitação física
Em alusão ao Janeiro Roxo, mês de conscientização sobre a hanseníase, a Câmara Legislativa promoveu uma audiência pública nesta segunda-feira (2). O evento — proposto pelo deputado distrital Fábio Felix (Psol) — reuniu especialistas e pacientes, que enfatizaram a importância do diagnóstico precoce, do amplo acesso à reabilitação física e do combate ao preconceito em torno da doença.
\nA hanseníase é provocada por uma bactéria que afeta a pele e os nervos periféricos. Sem tratamento, o dano aos nervos pode provocar fraqueza e perda de sensibilidade e de mobilidade nos locais afetados, ocasionando complicações como a “mão em garra” e o “pé caído”, como são conhecidos alguns dos agravamentos da doença. A transmissão acontece principalmente pela via respiratória, por meio de gotículas de saliva, por exemplo.
\n“É inaceitável que uma doença que tem cura continue deixando milhares de brasileiros com incapacidades físicas permanentes”, afirmou a dermatologista Roseane de Deus. “Nós estamos em um país hiperendêmico. Nós somos o segundo país do mundo em número de casos, só perdemos para a Índia”, destacou.
A médica explicou que alguns fatores podem atrasar o diagnóstico. “Um grande problema da hanseníase é que a mancha na pele não dói e não coça. Por isso o paciente não tem uma sintomatologia para procurar logo o atendimento”, alertou Roseane. Além disso, a médica ressaltou que as lesões na pele podem ser facilmente confundidas com outras questões dermatológicas, como alergia, urticária e impinge.
\nO paciente Filemon Ferreira contou um pouco de sua longa trajetória para conseguir o diagnóstico. Aos 14 anos de idade, ele começou a perder a sensibilidade e a força no pé. Apesar dos sintomas graves e o característicos, a hanseníase demorou para ser identificada. “Eu tive o diagnóstico depois de 10 anos com a doença”, lamentou.
\nApós utilizar os medicamentos corretos e passar por cirurgias de reabilitação nos pés e nas mãos, Ferreira conseguiu recuperar grande parte da mobilidade. “Hoje eu tenho uma vida normal”, comemorou.
\nPara evitar diagnósticos tardios, o deputado Fábio Felix ressaltou o papel da qualificação permanente dos profissionais de saúde. “Precisamos devolver a hanseníase para o repertório de diagnósticos de todos os profissionais de saúde. Isso significa haver mais informação, falar mais sobre o assunto, e tratar a hanseníase como prioridade máxima na política nacional, nos estados e no DF”, afirmou o parlamentar.
\nFelix também apontou a quantidade insuficiente de pessoal. “Há um déficit muito grande de servidores, o que prejudica o atendimento. E a contratação de temporários muitas vezes precariza ou descontinua os serviços, porque os contratos não são renovados”, avaliou o deputado.
\nNesse sentido, o ortopedista e cirurgião de hanseníase Gabriel Rodrigues utilizou o espaço da audiência para pedir a contratação de mais cirurgiões da área pela Secretaria de Saúde do DF. Ele também ressaltou que a doença precisa ser tratada de forma multiprofissional, com assistentes sociais, enfermeiros, fisioterapeutas, dermatologistas, cirurgiões, entre outras especialidades.
\n“O sonho de todo mundo é erradicar essa doença no Brasil. Mas, enquanto a gente não consegue, precisamos tratar os pacientes de maneira integral, completa”, pontuou Rodrigues.
\nA audiência completa pode ser assistida no YouTube da TV Câmara Distrital.
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