O que o veneno de uma vespa do Cerrado pode ter a ver com cuidados com a pele? Para pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), a resposta está na biotecnologia.
A partir de estudos sobre moléculas presentes nesses insetos, nasceu a Biointech, uma startup que transforma descobertas científicas em ativos para cosméticos. Criada a partir de pesquisas realizadas na Universidade de Brasília e fomentada pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) por meio do programa Start BSB, a empresa desenvolve peptídeos bioinspirados capazes de dar origem a novos ingredientes para a indústria de cosméticos.
Para o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, iniciativas como a Biointech demonstram o potencial da ciência para gerar inovação e desenvolvimento econômico.“Quando apoiamos a pesquisa científica, também abrimos caminho para o surgimento de novas tecnologias e empresas capazes de transformar conhecimento em soluções para a sociedade”, destaca.
Da pesquisa científica ao nascimento da startup
A história da Biointech começa no laboratório de neurofarmacologia da UnB, onde a professora Márcia Mortari pesquisava venenos de marimbondos em busca de novas moléculas capazes de tratar epilepsia refratária, um tipo da doença que não responde aos medicamentos disponíveis.
Durante essas pesquisas surgiu uma molécula promissora chamada Neurovespina, que despertou o interesse em levar aquela descoberta científica para além do ambiente acadêmico. Foi nesse momento que surgiu a parceria que daria origem à Biointech.
“Um dia, o João entrou na minha sala e perguntou se eu precisava de alguma coisa. Eu respondi que precisava de um sócio”, lembra Márcia Mortari, pesquisadora da UnB e cofundadora da startup.
A partir desse encontro, Márcia uniu-se ao empreendedor João Davison Silva Ramalho, com quem fundou a Biointech em 2016, empresa criada para transformar descobertas científicas em soluções tecnológicas com potencial de aplicação no mercado.
“A Biointech nasceu com o propósito de transformar ciência de laboratório em soluções reais para pacientes e para a sociedade”, afirma João Davison Silva Ramalho, cofundador da empresa.
O início dessa trajetória contou com o suporte financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), por meio do edital de Seleção Pública de Propostas para Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico ou de Inovação em Empresas Emergentes de Base Tecnológica — Startups Brasília, que contribuiu para impulsionar o desenvolvimento da empresa e a transformação da pesquisa acadêmica em soluções tecnológicas com potencial de aplicação no mercado.
Hoje, a Neurovespina já apresenta resultados promissores. Em parceria com o Hospital Veterinário da UnB, seis cães com epilepsia refratária estão sendo tratados com a molécula e apresentam controle total das crises.
Biotecnologia inspirada na biodiversidade
Com o avanço das pesquisas, a Biointech ampliou sua atuação e passou a explorar também aplicações na área cosmética. A empresa desenvolve peptídeos bioinspirados no veneno de vespas do Cerrado, capazes de atuar como ingredientes ativos em formulações para cuidados com a pele.