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BRASILIA

A inteligência artificial e o futuro que Brasília ajuda a construir

Por Redação 04/07/2026 às 20h58 • Atualizado em 04/07/2026 às 17h59
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- (crédito: Freepik/Dragos Condrea)

A inteligência artificial produz resultados quando encontra instituições sólidas, lideranças preparadas e uma cultura voltada para inovação. Brasília reúne condições para liderar esse movimento

 
 

Paulo Octávio — empresário e CEO do Grupo PaulOOctavio

No último dia 16 de junho, tive a honra de participar do 7º Brasília Summit, realizado no Brasília Palace Hotel. O encontro, promovido pelo Correio Braziliense em parceria com o Lide Nacional e o Lide Brasília, reuniu representantes dos Três Poderes, empresários, acadêmicos, especialistas em tecnologia e gestores públicos para discutir os impactos da inteligência artificial (IA) na gestão pública e no desenvolvimento econômico.

O Brasília Summit confirmou uma vocação que nossa capital exerce desde sua fundação. A cidade nasceu para ser o lugar onde o Brasil debate seu futuro. Foi concebida para reunir ideias, construir consensos e formular políticas para transformar a vida dos brasileiros. Ao sediar um encontro dedicado à IA, reforçou mais uma vez esse papel estratégico.

Vivemos uma mudança tecnológica comparável às revoluções industriais. A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para tornar-se uma ferramenta presente no cotidiano. Quem compreender essa transformação terá condições reais de gerar riqueza, oferecer serviços de qualidade e criar oportunidades para a população.

O presidente do Correio Braziliense, Guilherme Machado, lembrou que a IA representa uma profunda mudança cultural, que exige adaptação permanente das instituições. João Doria, presidente do Lide Nacional, destacou que o Brasil não pode somente assistir a essa revolução e precisa modernizar sua gestão pública para competir em um cenário internacional orientado por inovação, produtividade e conhecimento.

Na abertura do evento, procurei enfatizar justamente esse ponto. A IA não substitui pessoas. Ela potencializa talentos, amplia a capacidade de análise, reduz desperdícios e permite decisões eficientes. Para que seus benefícios sejam plenamente aproveitados, é indispensável a cooperação entre o setor produtivo, os governos, as universidades e os centros de pesquisa.

Essa integração apareceu em praticamente todos os painéis.

A governadora Celina Leão apresentou experiências desenvolvidas para ampliar o uso da tecnologia em áreas como saúde, educação, segurança pública e atendimento ao cidadão. Demonstrou que inovação é uma ferramenta concreta para aproximar o Estado da população.

No Legislativo, o debate ganhou profundidade com a participação do senador Rodrigo Pacheco, relator do projeto que estabelece o marco legal da IA no Brasil. Sua defesa de uma regulamentação equilibrada evidencia um desafio importante: estimular a inovação com segurança jurídica, proteção dos direitos fundamentais e responsabilidade no uso das novas tecnologias.

Parlamentares como Ricardo Barros, Adriana Ventura e Professora Dorinha Seabra Rezende ressaltaram que a IA pode tornar os serviços públicos mais eficientes, desde que seja acompanhada por boa governança, transparência e qualificação dos servidores.

A experiência prática igualmente esteve presente. O prefeito Silvio Barros mostrou como Maringá vem utilizando a inteligência artificial para integrar serviços públicos e simplificar a relação entre governo e cidadãos.

Especialistas como Carlos Jacobino, Clemilton Oliveira Junior, Cristiane Hasegawa e o professor Eduardo Magrani chamaram atenção para aspectos fundamentais da transformação digital: governança de dados, ética, segurança da informação e desenvolvimento de capacidades humanas.

Esse talvez tenha sido o principal ensinamento do Summit. Inteligência artificial, por si só, não resolve problemas. Ela produz resultados quando encontra instituições sólidas, lideranças preparadas e uma cultura voltada para inovação. A tecnologia é um meio. O verdadeiro objetivo continua sendo melhorar a vida das pessoas.

Brasília reúne condições para liderar esse movimento. Aqui estão os centros de decisão do país, universidades, órgãos reguladores, empresas inovadoras e um setor produtivo comprometido. Se conseguirmos aproximar esses atores, construiremos um ambiente favorável ao desenvolvimento de soluções.

Encontros como o Brasília Summit cumprem essa missão. Aproximam diferentes visões, estimulam o diálogo qualificado e ajudam a construir consensos sobre temas que definirão as próximas décadas.

A IA representa uma oportunidade extraordinária. Cabe a nós garantir que seja utilizada para fortalecer nossas instituições, aumentar a competitividade, melhorar serviços públicos e promover um desenvolvimento que combine inovação e inclusão. Brasília mostrou que está pronta para participar dessa construção. E o futuro, como ficou claro ao longo do encontro, já começou.