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Durigan diz que juros altos travam economia e pressionam dívida pública

Por Redação 05/07/2026 às 11h57 • Atualizado em 05/07/2026 às 09h00
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Durigan, em agenda na China: anúncio de medidas adicionais de controle às bets e críticas aos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro - (crédito: Divulgação/Ministério da Fazenda)

Ministro da Fazenda afirma que taxa elevada desestimula investimentos privados, nega que medidas de crédito do governo influenciam a política monetária e defende continuidade do ajuste fiscal

 

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a elevada taxa de juros é o principal entrave para o crescimento da economia brasileira, ao prejudicar os investimentos privados e ampliar o peso da dívida pública. Em entrevista publicada neste sábado (4/7), o ministro disse que a política fiscal não pode ser apontada como a única responsável pelo atual patamar dos juros e defendeu maior coordenação entre as ações fiscais e a política monetária.

Segundo Durigan, o custo do crédito tem impacto direto sobre a capacidade de investimento das empresas e sobre as contas do governo. "Hoje, o que machuca a dívida pública é a taxa de juros", afirmou.

O ministro também rejeitou a avaliação de que iniciativas do governo voltadas à ampliação do crédito ou ao estímulo da economia estejam impedindo uma redução mais intensa da taxa básica de juros. Para ele, as medidas adotadas possuem alcance limitado e não produzem efeitos relevantes sobre o cenário macroeconômico.

Ao comentar programas de financiamento com condições favoráveis, Durigan argumentou que os valores envolvidos representam uma parcela pequena diante do volume total do mercado de crédito brasileiro, estimado em cerca de R$ 600 bilhões por mês. Segundo ele, trata-se de ações pontuais destinadas a setores específicos, sem capacidade de interferir na condução da política monetária.

O ministro também afirmou que o Ministério da Fazenda não deve ser responsabilizado pelo nível atual da taxa de juros. Embora reconheça que o equilíbrio das contas públicas influencia as decisões do Banco Central, ele defendeu que o debate vá além da questão fiscal para compreender os fatores que mantêm os juros elevados.

As declarações ocorrem após o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir, em 17 de junho, a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, um corte de 0,25 ponto percentual. Desde março, a taxa básica acumula redução de 0,75 ponto percentual, mas o Banco Central mantém postura cautelosa diante das expectativas para a inflação e das incertezas no cenário internacional.

Durigan afirmou ainda que o governo está disposto a promover novos ajustes fiscais nos próximos anos, caso sejam necessários, por meio da contenção de despesas e da revisão de benefícios fiscais. Segundo ele, o compromisso é limitar o avanço da dívida pública e manter a sustentabilidade das contas do país.

 
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